Felipe Isidro, professor titular de educação física em Barcelona: 'A longevidade não depende da quantidade de músculos que você tem, mas da capacidade de ativá-los rapidamente'
Publicado em 7 de julho de 2026 às 13:01
Grande parte dos efeitos negativos do envelhecimento está relacionada à falta de movimento ou à prática inadequada de exercícios
Felipe Isidro, professor titular de educação física em Barcelona: 'A longevidade não depende da quantidade dem úsculos que você tem, mas da capacidade de ativá-los rapidamente' Grande parte dos efeitos negativos do envelhecimento está relacionada à falta de movimento ou à prática inadequada de exercícios Segundo o especialista em exercício físico, Felipe Isidro, o problema não é a idade, mas sim "perder a capacidade de aplicar força rapidamente" A capacidade de recrutar a musculatura rapidamente quando necessário se deteriora com o passar do tempo e sem o estímulo adequado De acordo com o catedrático, aí que está o problema, já que a maioria das pessoas treina para suar, mas pouquíssimas treinam para preservar a função

Durante décadas, o envelhecimento foi visto como um declínio mais ou menos inevitável. Você perde músculos, reflexos, autonomia... Essa era a narrativa predominante. Mas, felizmente, isso vem mudando.

Hoje sabemos que é possível combater e retardar os efeitos da passagem dos anos ao manter uma vida ativa, uma alimentação saudável e uma boa condição física, com músculos fortes por meio de exercícios de força.

Na verdade, grande parte dos efeitos negativos do envelhecimento está relacionada ao fato de não nos movimentarmos o suficiente — ou de fazermos isso de maneira inadequada.

O envelhecimento não é apenas perder músculos

Felipe Isidro, especialista em exercício físico e saúde, com longa trajetória como catedrático de Educação Física na Generalitat de Catalunya, é um grande defensor de manter-se ativo. Em suas redes sociais, o especialista afirma que "o exercício é um contrato com o seu futuro". Para ele, o problema não está em envelhecer, mas em perder algo concreto e mensurável: "O problema não é a idade", mas sim "perder a capacidade de aplicar força rapidamente".

Segundo Isidro, o corpo humano foi projetado para se movimentar e, quando isso não acontece, começa a se deteriorar.

Não é o músculo, mas a velocidade com que você o ativa

Esse é o ponto central de tudo o que Isidro defende. Não basta ter massa muscular: o que importa é saber se o sistema nervoso consegue recrutar essa musculatura rapidamente quando necessário. E essa capacidade, com o passar do tempo e sem o estímulo adequado, se deteriora mais cedo do que imaginamos.

O catedrático descreve um processo dividido em três fases: "primeiro, a velocidade de recrutamento diminui"; depois, "a coordenação intermuscular se desorganiza"; e, por fim, "a reserva funcional se deteriora". O resultado desse processo silencioso é que, "quando o ambiente exige uma reação, seu sistema já não responde".

Por isso, Isidro redefine o envelhecimento não como uma simples perda de músculo, mas como uma "perda progressiva da competência biológica". Sua principal tese é que a longevidade não depende apenas da quantidade de massa muscular que você tem, mas de "conseguir ativá-la rapidamente quando isso realmente importa".

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Por que o cardio sozinho não basta

Esse é o ponto que mais incomoda, porque vai contra os hábitos de muitas pessoas que acreditam estar treinando da maneira correta. Para Isidro, "a maioria das pessoas treina para suar", mas "pouquíssimas treinam para preservar a função". E essa função, segundo ele, "não é mantida com cardio confortável" nem com "séries intermináveis até a falha muscular".

O que realmente funciona, de acordo com o especialista, é "estimular o sistema nervoso". Se durante o treino não existe "uma intenção real de velocidade na fase de propulsão" ou não são utilizadas "cargas que obriguem o recrutamento de fibras de alto limiar", o esforço até existe, mas o benefício neuromuscular não acontece.

Essa é uma distinção também apontada por especialistas como Juan Carlos Colado, catedrático de Exercício Físico, que afirma que, após os 60 anos, perde-se entre 1% e 3% de massa muscular por ano quando não há treinamento — um processo de deterioração que apenas o cardio não consegue impedir.

Como treinar para preservar a capacidade do corpo

Para que essa ideia não fique apenas no campo da teoria, Isidro propõe um protocolo concreto, focado no que ele chama de "qualidade neural". A base são dois ou três padrões fundamentais de movimento: agachamento, supino e remada. A chave, porém, está na forma como esses exercícios são executados.

A recomendação é trabalhar com uma carga que permitiria completar entre 10 e 12 repetições, mas realizar apenas cinco ou seis, garantindo que "cada repetição" seja feita com a "máxima intenção de velocidade na fase concêntrica". A subida no agachamento, o movimento de empurrar no supino.

O objetivo não é chegar à exaustão, mas fazer com que o sistema nervoso receba o estímulo de que precisa.

O descanso também faz parte do treino

Há ainda um detalhe que costuma ser ignorado e que Isidro destaca: os intervalos de descanso.

Para que ocorra uma "verdadeira adaptação neural", são necessários "descansos longos", de dois a três minutos completos entre as séries. Reduzir esse tempo por impaciência ou na tentativa de tornar o treino mais intenso acaba anulando boa parte do efeito.

Exercícios com o peso do próprio corpo podem ser um bom ponto de partida para quem está há muito tempo sem treinar, mas a proposta de Isidro vai além: não se trata apenas de movimentar o corpo, mas de fazê-lo com uma intenção específica, capaz de estimular o sistema nervoso a se adaptar.

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Por Paula Alves | Colaboradora
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